Chovia forte, e mesmo assim eu continuava a seguir em frente, a água gelada tocava a pele do meu rosto e encharcava meu cabelo e minhas roupas, os carros passavam em ritmo frenético, pessoas enroscavam seus guarda-chuvas nas esquinas, e algumas se escondiam embaixo de toldos em lojas e casas. Eu não me importava com o frio, nem com o fato de estar todo encharcado, por que lá adiante eu podia ver seu rosto, você estava parada em todas as esquinas me chamando, estava na chuva mas se mantinha perfeitamente seca, seus cabelos dourados brilhavam intactos enquanto você sorria pra mim. E eu prosseguia, tentando lhe alcançar, mesmo no fundo sabendo que tu não passavas de uma miragem, de uma espécie de idealização minha, uma deusa.
Eu te criei, coloquei em você cada detalhe belo, cada curva, cada brilho. Você era a minha idealização de perfeição, e até mesmo você fujia de mim, não como quem tem medo, mas como uma criança que brinca de pique-esconde. Você sorria e dobrava a esquina correndo, rindo alto, eu também comecei a correr , a chuva havia cessado e o vento fazia com que gotas d'água escorressem pelo meu rosto partindo de meu cabelo encharcado, minha respiração estava acelerada, dobrei a esquina e pude vê-la de costas, e então finalmente consegui me aproximar, passei minhas mãos por sua cintura e tu se virastes para mim, ainda sorrindo, lhe abracei forte e pude sentir teu perfume doce. E então abri os olhos, me vi em minha cama com o sol do amanhecer que provinha da janela, batendo em meu rosto, levantei-me e vi minhas roupas encharcadas amontoadas no chão.
sábado, 14 de maio de 2011
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1 comentários:
Curti muito esse texto!
Desculpe a invasão...
Entrei aqui por acaso...
Não pare de escrever! =]
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