quinta-feira, 17 de março de 2011

Indiferença

quinta-feira, 17 de março de 2011 0
E  com o tempo eu me tornei indiferente, depois de tanto me importar eu acabei ficando assim. Uma vez eu me importava com a aparência, me importava com a reputação, me importava com o que pensariam, mas esses são outros tempos. Agora, parando pra pensar, eu simplesmente não me importo mais. Eu visto a roupa que eu quiser, uso meu cabelo do jeito que eu quiser, falo o que eu quiser, não me importo se não gostam de mim, não me importo com o fato de não ter amigos, não me importo com o fato de não ter um amor.
É claro que não deixei de me importar com tudo, ainda me importo com as poucas pessoas que eu amo, e com as coisas referentes ao meu futuro, mas só, apenas essas coisas passaram a fazer sentido na minha vida, nesse mundo onde a morte nos persegue a cada dia e nunca se sabe se o  amanhã chegará, eu simplesmente parei de me importar, resolvi tocar a vida, me esvaziando ao máximo de qualquer coisa que possa me fazer mal. E quanto ao amor, eu acabei me tornando indiferente também, algumas pessoas me dizem que chegará o dia em que será impossível  o tratar com indiferença, bom, então até esse dia chegar eu continuo assim, sem ilusões, sem lágrimas.
Tudo o que eu quero é paz, se eu ando por ai sozinha não sinta pena de mim, fui eu quem escolhi assim, afinal a falsidade e o egoísmo são tantos que nem sei mais se vale tão a pena ter amigos.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Auto-estima

quarta-feira, 2 de março de 2011 0
Hoje resolvi falar um pouco sobre auto-estima
No dicionário encontramos:auto-estima= (auto+estima) Apreço ou valorização que uma pessoa confere a si própria, permitindo-lhe ter confiança nos seus atos e nos seus pensamentos.
Ou seja, auto-estima e auto-confiança são irmãs, e como elas fazem a diferença na vida de uma pessoa...e digo isso por experiência própria. Tive minha fase de achar que eu e tudo que eu fazia eram dignos da lixeira, sim, e isso só me fazia mal, só acarretava em uma pilha de frustrações acumulando-se até que eu não aguentasse mais seu peso e descarregasse em alguém.
Mas, de uns tempos pra cá eu tenho começado a me "reeducar", e me ver de forma diferente, a me valorizar mais e parar com a mania de me diminuir. Auto-estima não é só questão de aparência, se achar gordo de mais, feio de mais, claro que tudo começa por ai mas é também o fato de não se achar capaz, de achar que é pior do que os outros, de fujir de tudo e de todos.
Ao invés de fujir, ao invés de "achar", comece a agir, a tentar se superar, esqueça de todos por um minuto e pense somente em você, seja lá o que tiver que fazer dê o melhor de si e convença a si mesmo que você consegue. Se você se acha gordo de mais, faça algo a respeito, se você não gosta de sua aparência tente inovar, mudar o visual, mas pensando em você, em como você se sente bem.
Dizem que se o medo não existisse a coragem também não existiria, portanto,seja corajoso, respire fundo e vá em frente, você pode, não se ponha limitações, e se der errado você ao menos tentou, e no final das contas todos erram, você não será o primeiro e nem o último, na vida nós precisamos arriscar, e seguir em frente. 

terça-feira, 1 de março de 2011

Neblina

terça-feira, 1 de março de 2011 0
A neblina era tão densa que eu mau conseguia ver os carros que passavam. Eram nove horas e vinte e três minutos e eu ainda estava parada ali, esperando que algo na minha vida se resolvesse, ou ao menos que ele chegasse. Marcamos as nove e a sua quase meia hora de atraso já tinha esgotado minha paciência, mas eu não tinha o que fazer ou pra onde ir, e eu sabia de certa forma que ele iria vir, ele sempre vinha.
Sentei no meio fio e respirei fundo, minha mente começou a vagar para o dia anterior quando meu pai furioso atirou minhas coisas no meio da rua e mandou que eu saísse, eu ainda não tinha me decidido em como eu me sentia a respeito disso, a final meu pai sempre fez questão de deixar bem claro que para ele eu não passava de um estorvo, ele só estava esperando uma desculpa qualquer para me jogar na rua. Eu posso dizer sim, que me sentia aliviada por sair daquele inferno, de me livrar daquela humilhação, mas o alivio era substituído por uma sensação de vazio. Eu estava completamente sem norte, não tinha para onde ir, ou onde ficar e ele prometeu me ajudar.
O 'ele' a quem me refiro é um garoto que eu conheço desde criança, uma amizade colorida, um irmão. O único que nunca me deixou sozinha, que nunca se mostrou egoísta, que sempre se preocupou comigo. Na adolescência nós tivemos nosso momento de paixão desenfreada, momentos de loucura e que obviamente acabaram com lágrimas, mas lembranças tão boas ficaram, parece que foi ontem que meu coração disparou com o simples toque de sua mão na minha cintura, ou que passamos a noite rindo depois de ter experimentado um cigarro de maconha. Mas tudo passa, ele teve que morar longe por um tempo e dois anos depois voltou com uma namorada que parecia mais uma princesa, confesso que morri de ciúmes mas que no fundo eu sabia que ele merecia tudo o que lhe fizesse feliz. Acho que posso lhe confessar que nunca deixei de amá-lo, e não sei por que diabos continuei sendo sua fiel amiga, como um cão solitário e abandonado implorando carinho, migalhas de pão, me sentia como o cão sem raça que fica fora de casa no frio e inveja a vida da cadelinha pura que tem todos os regalos. Talvez fosse uma forma de me punir por seja lá o que for, talvez fosse apenas um vício mantê-lo por perto, talvez eu ainda tivesse esperança que ela fosse embora, talvez eu seja fraca de mais, ou talvez ainda não tenha achado o meu caminho e ele seja a unica luz nessa minha vida sombria.
Um cachorro se aproximou e sentou ao meu lado, tinha os olhos tristonhos e profundo que me encaravam como que num pedido de desculpas, de alguma maneira aquele olhar me causou um arrepio, cruzei os braços e encarei o asfalto e um uivo fininho como um lamento, escapou do cachorro e aumentou gradativamente, então eu bati o pé e mandei que fosse embora, ele se levantou, deu uma lambida na minha mão e me olhou novamente, depois virou-se e saiu correndo.
Eu me levantei, e comecei a andar, já faziam mais de 40 minutos e todas as minhas esperanças se esvaíram, depois de dez minutos de caminhada, próximo a casa dele, foi que eu ouvi as sirenes, foi que eu vi a moto virada perto da calçada, o caminhão enviesado e um corpo envolto por uma poça de sangue no meio da avenida, e eu percebi que o corpo tinha os mesmos cachos escuros, a mesma pele clara, os mesmos lábio que um dia me pertenceram...e lá longe próximo ao corpo eu reconheci os olhos tristonhos do cachorro negro que há pouco havia se sentado ao meu lado de baixo da neblina espessa de um domingo que aos poucos desmoronava sobre mim.
 
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